Pensadores Políticos no VESTIBULAR (I)
QUESTÃO 01 (UFSJ 2013)
Thomas Hobbes afirma que “Lei Civil”, para todo
súdito, é
A) “construída por aquelas regras que o Estado lhe impõe,
oralmente ou por escrito, ou por outro sinal suficiente de sua vontade, para
usar como critério de distinção entre o bem e o mal”.
B) “a lei que o deixa livre para caminhar para qualquer
direção, pois há um conjunto de leis naturais que estabelece os limites para
uma vida em sociedade”.
C) “reguladora e protetora dos direitos humanos, e faz
intervenção na ordem social para legitimar as relações externas da vida do
homem em sociedade”.
D) “calcada na arbitrariedade individual, em que as pessoas
buscam entrar num Estado Civil, em consonância com o direito natural, no qual
ele – o súdito – tem direito sobre a sua vida, a sua liberdade e os seus
bens”.
QUESTÃO 02 (UFU 2013)
HOBBES, Thomas. Leviatã. Cap. XVII. Tradução de João Paulo
Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p.
103.
Em relação ao papel do Estado, Hobbes considera que:
A) O seu poder deve ser parcial. O soberano que nasce com o
advento do contrato social deve assiná-lo, para submeter-se aos compromissos
ali firmados.
B) A condição natural do
homem é de guerra de todos contra todos. Resolver tal condição é possível
apenas com um poder estatal pleno.
C) Os homens são, por natureza, desiguais. Por isso, a criação
do Estado deve servir como instrumento de realização da isonomia entre tais
homens.
D) A guerra de todos contra todos surge com o Estado repressor.
O homem não deve se submeter de bom grado à violência estatal.
QUESTÃO 03 (UEL 2011)
Justiça e Estado apresentam-se como elementos indissociáveis na filosofia
política hobbesiana. Ao romper com a concepção de justiça defendida pela
tradição aristotélico-escolástica. Hobbes propõe uma nova moralidade
relacionada ao poder político e sua constituição jurídica. O Estado surge pelo
pacto para possibilitar a justiça e, na conformidade com a lei, se sustenta por
meio dela. No Leviatã (caps. XIV-XV), a justiça hobbesiana fundamenta-se, em
última instância, na lei natural concernente à autoconservação, da qual deriva
a segunda lei que impõe a cada um a renúncia de seu direito a todas as coisas,
para garantir a paz e a defesa de si mesmo. Desta, por sua vez, implica a
terceira lei natural: que os homens cumpram os pactos que celebrarem. Segundo
Hobbes, “onde não há poder comum não há lei, e onde não há lei não há
injustiça. Na guerra, a força e a fraude são as duas virtudes cardeais”.
(HOBBES,
T. Leviatã. Trad. J. Monteiro e M. B. N. da Silva. São Paulo: Nova
Cultural, 1997. Coleção Os Pensadores, cap. XIII.)
Com
base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Hobbes, é correto
afirmar:
A) A
humanidade é capaz, sem que haja um poder coercitivo que a mantenha submissa,
de consentir na observância da justiça e das outras leis de natureza a partir
do pacto constitutivo do Estado.
B) A
justiça tem sua origem na celebração de pactos de confiança mútua, pelos quais
os cidadãos, ao renunciarem sua liberdade em prol de todos, removem o medo de
quando se encontravam na condição natural de guerra.
C) A
justiça é definida como observância das leis naturais e, portanto, a injustiça
consiste na submissão ao poder coercitivo que obriga igualmente os homens ao
cumprimento dos seus pactos.
D) As
noções de justiça e de injustiça, como as de bem e de mal, têm lugar a partir
do momento em que os homens vivem sob um poder soberano capaz de evitar uma
condição de guerra generalizada de todos.
E) A
justiça torna-se vital para a manutenção do Estado na medida em que as leis que
a efetivam sejam criadas, por direito natural, pelos súditos com o objetivo de
assegurar solidariamente a paz e a segurança de todos.
QUESTÃO 04 (Unioeste
2010)
Na concepção política de Hobbes, o “acordo vigente” entre
homens se dá através de um pacto, isto é, artificialmente, acordo que para
“tornar-se constante e duradouro” exige, além do pacto, a instituição de “[...]
um poder comum que os mantenha em respeito, e que dirija suas ações no sentido
comum. [...] A única maneira de instituir um tal poder comum, capaz de
defendê-los [...], garantindo-lhes assim uma segurança suficiente para que,
mediante seu próprio labor e graças aos frutos da terra, possam alimentar-se e
viver satisfeitos, é conferir toda a sua força e poder a um homem, ou a uma
assembleia de homens, que possa reduzir suas diversas vontades, por pluralidade
de votos, a uma só vontade. O que equivale a dizer: designar um homem ou uma
assembleia de homens como representante de suas pessoas, considerando-se e
reconhecendo-se cada um como autor de todos os atos que aquele que representa
sua pessoa praticar ou levar a praticar, em tudo o que disser respeito à paz e
segurança comuns; todos submetendo assim suas vontades à vontade do
representante, e suas decisões a sua decisão. Isto é mais do que consentimento,
ou concórdia, é uma verdadeira unidade de todos eles, numa só e mesma pessoa,
realizada por um pacto de cada homem com todos os homens, de um modo que é como
se cada homem dissesse a cada homem: Cedo e transfiro meu direito de
governar-me a mim mesmo a este homem, ou a esta assembleia de homens, com
a condição de transferires a ele o teu direito, autorizando de maneira
semelhante todas as suas ações. Feito isto, à multidão assim unida numa só
pessoa se chama Estado […]. Graças a esta autoridade que lhe é dada por cada
indivíduo no Estado, é-lhe conferido o uso de tamanho poder e força que o
terror assim inspirado o torna capaz de conformar as vontades de todos eles, no
sentido da paz no próprio país, e ajuda mútua contra os inimigos estrangeiros.
É nele que consiste a essência do Estado, a qual pode ser assim
definida: Uma pessoa de cujos atos uma multidão, mediante pactos
recíprocos uns com os outros, foi instituída por cada um como autora, de
modo a ela poder usar a força e os recursos de todos, da maneira que
considerar conveniente, para assegurar a paz e a defesa comum. [...]
Àquele que é portador dessa pessoa se chama soberano, e dele se diz que
possui poder soberano. Todos os restantes são súditos.”(Hobbes)
A
partir deste texto, que trata da concepção política hobbesiana, seguem as
seguintes proposições:
I.
O poder comum é originário de um pacto recíproco e consensual entre o Soberano
a ser instituído e uma multidão de indivíduos que pactuam, reciprocamente, cada
um com cada um, a Transferência de direitos naturais e deveres civis, com a
finalidade de garantir a paz e segurança de todos no Estado.
II.
Na instituição do poder soberano, os pactuantes autorizam todos os atos e
decisões tomadas pelo Soberano instituído, como se fossem seus próprios atos e
suas próprias decisões, com a finalidade de, no Estado, viverem em paz,
concórdia e segurança.
III.
A essência do Estado consiste na transferência, por parte de uma grande
multidão, mediante pactos recíprocos, cada um com cada um, de direitos e
liberdades naturais, para um Soberano, com poder absoluto, intransferível e
ilimitado.
IV.
A instituição do poder soberano tem sua origem e fundamento no simples
consentimento estabelecido entre uma multidão de indivíduos que pactuam, cada
um com cada um, na transferência de uma parcela de seus direitos e
liberdades civis.
V.
A saída do estado de natureza se dá através de um pacto, ou seja,
artificialmente; para tornar-se constante e duradouro, é necessário a
instituição de um poder comum que mantenha a todos em respeito e dirija as suas
ações no sentido do benefício comum.
Das
afirmações feitas acima
A) apenas
a afirmativa I está correta.
B) apenas
a afirmativa II está correta.
C) apenas
as afirmativas II e IV estão corretas.
D) apenas
as afirmativas III e IV estão corretas.
E) apenas
as afirmativas II, III e V estão corretas.
QUESTÃO 05 (UEL 2010)
[...]
Os homens não podem esperar uma conservação duradoura se continuarem no estado
de natureza, ou seja, de guerra, e isso devido à igualdade de poder que entre
eles há, e a outras faculdades com que estão dotados. A lei da natureza
primeira, e fundamental, é que devemos procurar a paz, quando possa ser
encontrada [...]. Uma das leis naturais inferidas desta primeira e fundamental
é a seguinte: que os homens não devem conservar o direito que têm, todos, a
todas as coisas.
(HOBBES,
T. Do Cidadão. São Paulo: Martins Fontes, 1992, pp. 40 - 41; 45 -
46).
[...]
aquele que submete sua vontade à vontade outrem transfere a este último o
direito sobre sua força e suas faculdades - de tal modo que, quando todos os
outros tiverem feito o mesmo, aquele a quem se submeteram terá tanto poder que,
pelo terror que este suscita, poderá conformar as vontades particulares à
unidade e à concórdia. [...] A união assim feita diz-se uma cidade, ou uma
sociedade civil.
(HOBBES,
T. Do Cidadão. São Paulo: Martins Fontes, p. 1992, p. 109).
Para
os jusnaturalistas o problema da legitimidade do poder político comporta uma
questão de fato e uma questão de direito, isto é, o problema da instituição da
sociedade civil e o problema do fundamento da autoridade política.
Com
base nos textos e nos conhecimentos sobre o pensamento jusnaturalista de
Hobbes, considere as afirmativas a seguir:
I.
A instituição da sociedade civil fundamenta-se na sociabilidade natural do ser
humano, pela qual os indivíduos hipoteticamente livres e iguais decidem
submeter-se à autoridade comum de um só homem ou de uma assembleia.
II.
Além do pacto de associação para união de todos em um só corpo, é preciso que
ao mesmo tempo se estabeleça o pacto de submissão de todos a um poder comum
para a preservação da segurança e da paz civil.
III.
A soberania do povo encontra sua origem e seus princípios fundamentais no ato
do contrato social constituído pelas vontades particulares dos indivíduos a fim
de edificar uma vontade geral indivisível e inalienável.
IV.
O estado de guerra decorre em última instância da necessidade fundamental dos
homens, naturalmente iguais entre si, por sua preservação que faz com que cada
um tenha direito a tudo.
Assinale
a alternativa correta.
A) Somente
as afirmativas I e IV são corretas.
B) Somente
as afirmativas II e III são corretas.
C) Somente
as afirmativas II e IV são corretas.
D) Somente
as afirmativas I, II e III são corretas.
E) Somente
as afirmativas I, III e IV são corretas.
Questão 06 - (Fac. Direito de Franca
SP/2013)
"A etiqueta foi, nos séculos do seu
apogeu (do XV ao XVIII), minucioso cerimonial regendo a vida em sociedade:
roupas, formas de tratamento, uso da linguagem, distribuição no espaço, tudo
isso esteve determinado pela lei e pelo costume."
Renato Janine Ribeiro. A etiqueta no Antigo Regime.
São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 7.
São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 7.
O papel da etiqueta no Antigo Regime
pode ser associado
A) ao esforço da realeza para impedir a exposição pública da
ostentação e da pompa que orientavam sua vida privada.
B) à dinâmica política do Estado absolutista, em que os governantes
deviam acolher no seu espaço privado representantes de todas as classes
sociais.
C) à disposição, natural na burguesia mercantil metropolitana, de
buscar o luxo e a ostentação.
D) à lógica
hierarquizadora da sociedade, em que cada pessoa devia conhecer seu lugar, sua
posição e seu papel social.
E) ao papel regrador da sociedade, exercido pela Igreja Católica, que
determinava o vestuário adequado dos fiéis.
QUESTÃO 07 -
(Mackenzie SP/2013)
“O Estado sou
eu”, frase atribuída ao rei francês Luís XIV, traduzia o grau de centralização
de poderes típica dos Estados absolutistas europeus. Tal forma de organização
política destacava a figura do monarca como bem caracteriza a imagem acima.
Assinale a alternativa correta que expressa o papel da monarquia absolutista.
A) O regente, ao aparecer
publicamente com trajes suntuosos, exprimia a união entre o poder temporal e o
espiritual, apoiado publicamente pelo Papa em cada aparição pública.
B) O monarca, ao se utilizar
da pompa e da suntuosidade, sintetizava os anseios da própria nação e dos
diversos grupos religiosos existentes no território francês.
C) A exposição pública da
figura do monarca enfraquecia a nobreza e as tradições aristocráticas, ao mesmo
tempo em que fortalecia os interesses burgueses.
D) O rei, ao simbolizar o próprio Estado
francês, consegue articular o anseio do grupo mercantil em ascensão,
articulando-os com os interesses da nobreza nacional.
E) Eliminar as revoltas
camponesas francesas, recorrendo ao luxo e majestade configurados na imagem do
monarca, garantia estabilidade a nação.
QUESTÃO 08 - ENEM 2012
Na França, o rei Luís XIV teve sua imagem fabricada por um conjunto de estratégias que visavam sedimentar uma determinada noção de soberania. Neste sentido, a charge apresentada demonstra
A) a humanidade do rei, pois retrata um homem comum, sem os adornos próprios à vestimenta real.
B) a unidade entre o público e o privado, pois a figura do rei com a vestimenta real representa o público e sem a vestimenta real, o privado.
C) o vínculo entre monarquia e povo, pois leva ao conhecimento do público a figura de um rei despretensioso e distante do poder político.
D) o gosto estético refinado do rei, pois evidencia a elegância dos trajes reais em relação aos de outros membros da corte.
E) a importância da vestimenta para a constituição simbólica do rei, pois o corpo político adornado esconde os defeitos do corpo pessoal.
QUESTÃO 09 - (UFG
GO/2010)
Leia
e compare os documentos.
O
trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus. Três razões
fazem ver que a monarquia hereditária é o melhor governo. A primeira é que é o
mais natural e se perpetua por si próprio. A segunda razão é que esse governo é
o que interessa mais na conservação do Estado e dos poderes que o constituem: o
príncipe, que trabalha para o seu Estado, trabalha para seus filhos. A terceira
razão retira-se da dignidade das casas reais.
BOSSUET,
Jacques-Bénigne. A política inspirada na Sagrada Escritura.
In: FREITAS,Gustavo de. 900 textos e documentos de História.
Lisboa: Plátano, 1977. (Adaptado).
In: FREITAS,Gustavo de. 900 textos e documentos de História.
Lisboa: Plátano, 1977. (Adaptado).
Nenhum
homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros. A liberdade é um
presente do céu, e cada indivíduo da mesma espécie tem o direito de gozar dela
logo que goze da razão. Toda autoridade (que não a paterna) vem duma outra
origem, que não é a da natureza. Examinando-a bem, sempre se fará remontar a
uma dessas duas fontes: ou a força e violência daquele que dela se apoderou; ou
o consentimento daqueles que lhe são submetidos, por um contrato celebrado ou
suposto entre eles e a quem deferiram a autoridade.
DIDEROT,
Denis. Autoridade política. In: FREITAS, Gustavo de.
900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, 1977.
900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, 1977.
O
primeiro documento data de 1708, ao passo que o segundo faz parte da
Enciclopédia, cujos volumes foram publicados entre 1751 e 1780. Ambos os
escritos tratam do poder político e da relação entre governantes e governados,
expressando perspectivas distintas. Nesse sentido, identifique e explique os
princípios presentes em cada um dos documentos, que definiram a relação entre
governantes e governados.
QUESTÃO 10 - (UNIMONTES MG/2008)
“Só de Deus recebemos a
nossa coroa, e o direito de fazer leis pertence-nos sem partilha nem
dependência.”
(Luís
XV, em dezembro de 1770)
“Cada século tem o
espírito próprio que o caracteriza; o espírito do nosso parece ser o da
liberdade.”
(Diderot,
em abril de 1771)
(DOMINGUES,
Joelza Éster; FIUSA, Layla Paranhos Leite.
História:
o Brasil em foco. São
Paulo : FTD, 1996, p. 71)
Com base nas
informações acima e em seus conhecimentos, assinale a alternativa CORRETA.
A) As distintas leituras da sociedade que faziam
Diderot e Luís XV se explicam pelas suas opções políticas e filosóficas, uma
vez que o primeiro era “iluminista” e o segundo “absolutista”.
B) Luís XV, embora fosse francês, recorria a um
argumento de tradição inglesa segundo o qual o rei se legitima primeiramente no
direito divino e tem a prerrogativa de estabelecer leis para toda a sociedade.
C) O pensamento de Luís XV é convergente com a
chamada teoria do direito de primogenitura, formulada por Maquiavel e Hobbes no
século XVI e difundida em toda a Europa pelos séculos seguintes.
D) Diderot é considerado um precursor do chamado
socialismo utópico porque pensava o século XVIII, quando os regimes
autoritários predominavam como o “tempo da liberdade”.
GABARITO
01 - A
02 - B
03 - D
04 - E
05 - C
06 - D
07 - D
08 - E
09 - O princípio que orienta o primeiro documento é o do direito divino dos Reis; já, no segundo, o princípio orientador é o da razão iluminista. Para os defensores do Absolutismo, como Jacques-Bénigne Bossuet (1627-1704), o poder político dos Reis emanava de Deus, sendo, portanto, um “poder divino” e determinado pelo nascimento (a hereditariedade sustentava a sucessão dinástica). Isso significa que a legitimidade dos monarcas é indiscutível e natural, constituindo, então, uma relação entre governantes e governados, na qual o primeiro tem autoridade e o segundo deve-lhe obediência e fidelidade, na categoria de súdito. Para os iluministas, em geral, e para Diderot (1713-1784), em particular, tal como se pode deduzir da leitura do fragmento, o poder político não é algo natural ou tomado como uma herança divina, uma vez que os homens, amparados pela razão, devem gozar de sua liberdade. Por isso, a relação entre governo e governado depende de fonte distinta: a força (o uso da violência) e o consentimento (o contrato).
10 - A

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